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Totatola com Cabalhau

Se houvera quem me ensinara, quem aprendia era eu!

Totatola com Cabalhau

Se houvera quem me ensinara, quem aprendia era eu!

Quando digo às pessoas que sou Terapeuta da Fala, a resposta comum é “Ah, ajudas as crianças a falar”! Embora a população infantil e a sua expressão oral seja uma parte do trabalho de um Terapeuta da Fala, há muito mais para além disso. Desculpem a sinceridade, mas respondo sempre a este comentário consoante o meu estado de espirito. Por vezes digo apenas “também mas não só” outras vezes faço um discurso extenso das áreas que trabalhamos. Na realidade, ninguém sabe de quantas formas um terapeuta da fala pode ajudar.

O Terapeuta da Fala é o profissional responsável pela prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, englobando não só todas as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita mas também outras formas de comunicação não verbal. O Terapeuta da Fala intervém, ainda, ao nível da deglutição (passagem segura de alimentos e bebidas através da orofaringe de forma a garantir uma nutrição adequada). O Terapeuta da Fala avalia e intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, tendo por objetivo geral otimizar as capacidades de comunicação e/ou deglutição do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007)

Na consulta de terapia da fala é comum comentários como “a médica é que mandou porque o pai também começou a falar muito tarde”. Pois é, mas se podemos prevenir porque é que vamos remediar?? Não tive este noção durante o meu curso, mas ao longo da experiência profissional foi-me possível reparar que a ida ao terapeuta da fala é, por vezes, um estigma para algumas pessoas. “Ele sabe tudo, compreende tudo, só não se explica bem!”. Calma, ir ao terapeuta da fala não rotula ninguém (seja qual for a idade). Se tiver uma cárie num dente dirigir-se-á ao dentista correto? Então? “Isto é quanto tempo?”. Bem, na realidade cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento e há que respeitá-lo, não posso responder a essa pergunta desde já. “Vá, diz, diz, tu sabes bem que isso é o sol, não é, pois, é o sol.” Deixe a criança falar. Bem ou mal. Deixe-a falar. “Falo sobre o quê com ele? Só gosta do tablet.” Não sou contra a tecnologia desde que de forma moderada e vigiada, no entanto, é necessário promover ambientes ricos de linguagem. Não seja uma barreira ao desenvolvimento da linguagem, fale sobre tudo e insira a criança nas actividades domésticas “ora, vamos estender os panos da cozinha com as molas azuis”.

Atualmente, infelizmente, há outros profissionais que tentam desempenhar o papel do terapeuta da fala (psicólogos, educadores, psicomotricistas, enfermeiros de reabilitação, profissionais que tiram uma pós-graduação/mestrado na área), porém não há NINGUÉM com competência para fazer o trabalho de um Terapeuta da Fala, do mesmo modo que o terapeuta da fala não tem competência para realizar o trabalho de outrem. Não perca tempo de recuperação, e peça a cédula profissional para confirmar o profissional que tem à sua frente.